
Admito que não estou a ver com grande interesse este Secret Story. Mas o que se está a passar com este casal, Eva e Diogo, é algo que deve transcender um reality show, que deve servir para mostrar a todo o país o que é, nos dias de hoje, totalmente inaceitável numa relação entre duas pessoas, e que, parece-me, é cada vez mais comum entre jovens casais. O comportamento que este rapaz está a ter, de uma total falta de vergonha, caráter, escrúpulos, coragem, de uma sonsice que eu achava que não seria possível em frente a milhões de pessoas, de uma total ausência de respeito, empatia por uma pessoa com quem tem (ainda) uma relação e (supostamente) por quem tem sentimentos. Este Diogo parece-me o triste resultado de uma geração que cresce a ouvir os Andrew Tates e Harrison Sullivans desta vida (vejam o documentário “Inside The Manosphere”, da Netflix, e perceberão melhor), ou as versões low-cost como o Numeiro. E a Eva parece a mulher típica exposta a estas teorias durante anos, e que parece aceitar como uma verdade e um fado a triste sina de ser mulher, esse ser submisso ao macho. Tudo isto que estamos a ver deve ser um alerta, um grito estridente, para que todos, todos, parem de normalizar ou relativizar estes comportamentos inaceitáveis, asquerosos e degradantes de um homem que não pode ser visto só como “um miúdo que ainda não tem maturidade”. O Diogo é um adulto e perfeitamente consciente do certo e do errado. É, sim, um manipulador, egoista, machista, que tem de ser exposto e denunciado. Um aplauso aqui para a forma exemplar como a Cristina Ferreira fez três pinos, uma pirueta encarpada e três mortais para tentar abrir os olhos à Eva. Mas o povo é sábio: o pior cego é o que não quer ver.