Sofia Aparício – Violência, tortura e documentos ‘ilegais’: Atriz detalha horror que viveu em Israel

Sofia Aparíciofoiuma das quatro figuras portuguesasque seguiram atéGaza, numFlotilha Humanitária, com o objetivo de levar mantimentos aos palestinianos.No início deste mês, os barcos foram interceptados pelas autoridades israelitas eos tripulantes foram detidos. Cinco dias depois, conseguiramregressar a Lisboa. A atriz foi recebida no Dois às 10, esta terça-feira, 14 de outubro, para falar sobre a experiência.”Foi um mês de stress no barco comos drones a voarem por cima(…)que culminou numa semana de muitíssimo mais stress,numa prisão israelita…As pernas só me começaram a tremer em Portugal”, explicou.Sofia Aparício recordou osmaus-tratos dos militares. “Cheguei ao porto, fui atirada contra o chão, fiquei imenso tempo naquela posição (…)um rapaz ao meu lado foi espancado só porque sim e eu não pude fazer nada(…) É uma frustração e um sentimento de impotência muito grande e de raiva”, lamentou.Além disso, os tripulantes detidos foram pressionados a assinar documentação a comprovar que tinham cometido ilegalidades, mas recusaram-se sempre a coagir.

“Eu fui sequestrada e o meu barco foi intercetado em águas internacionais, são dois crimes ao abrigo da lei internacional, eu não cometi crime nenhum.Mas lá fui, passar pelo processo de emigração, sempre aos empurrões, revistaram-me aos pontapés, aos gritos connosco (…) Arrancaram-me um casaco, meteram-me numa carrinha de transporte de presos, meteram-me numa caixinha pequenina com uma companheira com o ar condicionado no máximo de frio,foram 4 horas de tortura. Chegámos à cadeia e meteram-nos numa jaula”, revelou.A atriz viu a morte a aproximar-se. “Eu temi pela minha vida sim, mas é essa coisa de…Eu tive uma mira apontada à cabeça, eu temi pela minha vida mas é sempre no momento a seguir à coisa estar a acontecer porque nós temos instintos de sobrevivência e o meu funciona assim, eu não sabia que ia funcionar assim numasituação tão extrema.”

Quanto àscríticas que tem recebido, Sofia Aparício salientou: “Se essas pessoas estão dispostas a correr o risco de se encontrar com o exército mais sádico do mundo para ter likes e para aparecer, que vão, eu não!Eu nunca procurei likes, eu não gosto da atenção mediática, recebo-a bem porque normalmente é reconhecimento pelo trabalho.””Eu não consigo ficar sentada no sofá a ver (…)É um genocídio, nós vemos crianças a ser mortas, estropiadas, a ser amputadas a sangue frio no nosso feed e na televisão e se me é dada oportunidade de fazer uma coisinha mais, eu não consigo dizer que não”, justificou.Mariana Mortágua detida por Israel