Crise no balneário e opções táticas na despedida do Mundial abrem caminho para mudanças urgentes no desporto nacional.

A eliminação de Portugal no Mundial frente à Espanha deixou marcas profundas na estrutura do futebol nacional. A decisão do treinador Roberto Martínez em não colocar Gonçalo Ramos em campo, numa fase em que a equipa era empurrada para trás, gerou forte contestação dos adeptos. O atual avançado do Milan detém uma média impressionante em Mundiais, com um golo ou assistência a cada 37 minutos.
Muitos consideram que o atleta poderia ter repetido o impacto do jogo com a Croácia, que culminou no cabeceamento de Bernardo Silva. A estratégia da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a gestão de marcas desportivas associadas ao plantel estão agora sob forte escrutínio público.
O percurso nesta competição internacional ficou aquém das elevadas expectativas e do investimento emocional dos milhões de portugueses. Em cinco jogos disputados no Mundial, a Seleção Nacional registou exibições muito abaixo do esperado contra a RD Congo e a Colômbia.
Gestão do estatuto de CR7 e Bruno Fernandes sob análise
A insistência em manter o estatuto intocável de Cristiano Ronaldo e de Bruno Fernandes é apontada como um dos principais fatores para o desfecho negativo. O médio esteve longe do nível que o consagrou como o melhor jogador da época da Premier League há dois meses.
A obsessão por não mexer na estrutura habitual deixa o país lavado em lágrimas e exige uma nova consultoria desportiva para o futuro.
Especialistas referem que o rendimento atual obriga a repensar os contratos de patrocínio e a liderança em campo. Para os críticos, esta geração não superou o legado de figuras históricas de 2006, como Miguel, Ricardo Carvalho, Petit, Tiago, Deco, Maniche, Costinha, Luís Figo, Simão Sabrosa, Nuno Gomes ou Fernando Meira.
O argumento de que a Espanha é a atual campeã europeia não justifica o fracasso estratégico. O confronto decisivo nos oitavos de final poderia ter sido evitado caso Portugal não fizesse figura de corpo presente contra a Colômbia. Uma vitória nesse jogo garantiria o primeiro lugar do grupo e um calendário teoricamente mais acessível contra o Gana, seguido de Suíça ou Argélia.
O futuro com Jorge Jesus e os próximos compromissos financeiros
O ciclo de Roberto Martínez encerra-se sem a glória esperada, deixando apenas uma prestação insossa na Liga das Nações perante as desilusões no Europeu e neste Mundial. Curiosamente, o treinador referiu acreditar na numerologia do número 6, acabando eliminado no dia 6, com um golo do camisola 6 da Espanha.
Com a iminente entrada de Jorge Jesus para o comando técnico, espera-se uma revolução no rendimento desportivo da equipa. A transição exige coragem para gerir o estatuto e o ego de Cristiano Ronaldo, promovendo alternativas com maior retorno competitivo em campo. Nem mesmo uma intervenção externa de figuras mediáticas mundiais como Donald Trump alteraria este desfecho.
A nova equipa técnica terá pela frente um calendário competitivo exigente e de alto valor televisivo. No final de setembro arranca a Liga das Nações, com quatro jogos cruciais contra o País de Gales, a Noruega (duas vezes) e a Dinamarca, onde Portugal terá de provar o seu verdadeiro valor de mercado.