Marcelo adia visita aos reis de Espanha e regressa à essência do “Presidente dos Afetos”Na hora da despedida, Marcelo adia visita aos reis de Espanha e regressa à essência do “Presidente dos Afetos”Na semana em que o país escolhe o próximo Presidente da República,Marcelo Rebelo de Sousatem-se mostrado fiel àquilo que sempre definiu o seu mandato: a proximidade com oPaís real. Em pleno contexto de calamidade, o Chefe de Estado adiou uma visita oficial aos reis de Espanha e voltou a percorrer as zonas mais afetadas pelas cheias, ouvindo relatos de quem perdeu tudo, deixando palavras de conforto e não poupando críticas à atuação governativa.A deslocação à Zarzuela, onde Marcelo se encontraria comFelipe VI e Letizia, estava prevista para esta sexta-feira, 6 de fevereiro, mas acabou por ser suspensa após uma conversa telefónica entre os dois chefes de Estado. Em nota oficial, a Presidência da República esclareceu que a decisão foi tomada “com a concordância dos governos de Portugal e de Espanha”, devido aos efeitos devastadores da tempestade Leonardo. Fica assim adiado aquele que seria o último encontro de Marcelo com a realeza europeia enquanto Presidente.
Longe de Belém, Marcelo tem passado grande parte dos últimos dias no terreno, sobretudo na região centro do país, reforçando a imagem de“Presidente dos Afetos”que marcou o seu primeiro mandato. Em visitas a postos de comando da Proteção Civil, como em Ourém, o Chefe de Estado fez questão de escutar autarcas e populações, mostrando-se sensibilizado com as dificuldades enfrentadas.Mas houve também espaço para palavras duras. “Não serve de nada ter medidas no papel se não for possível executá-las”, afirmou Marcelo, numa crítica direta à resposta do Governo. Reconhecendo que houve acertos e falhas, sublinhou que “a explicação às pessoas, em muitos casos, não correu bem”, frisando a importância da comunicação e da eficácia no apoio às vítimas.
Aos 77 anos, Marcelo planeia regressar a uma paixão antiga:dar aulas. O destino já está traçado — aCalifórnia, nos Estados Unidos, onde será professor convidado. A mudança, no entanto, só deverá acontecer dentro de cerca de dois anos, coincidindo com osJogos Olímpicos de 2028, que terão lugar naquele país. “Junta-se o útil ao agradável”, explicou à Lusa, assumindo que será uma oportunidade única para acompanhar de perto os atletas portugueses. “Nessa altura serei um homem livre”, afirmou.Uma liberdade que surge após um segundo mandato particularmente desgastante, marcado pelo polémico caso das gémeas luso-brasileiras, que afetou profundamente a sua imagem pública e vida pessoal. Marcelo nunca escondeu o impacto emocional desse período e sabe que limpar os últimos resquícios desse desgaste será uma prioridade no pós-Presidência.Por agora, porém, mantém-se no terreno, junto das pessoas, num regresso simbólico à essência que melhor o definiu ao longo de uma década em Belém.